Há 23 dias, familiares e amigos realizam buscas em comunidades, praças, hospitais, abrigos e institutos de medicina legais para encontrar o paradeiro do adolescente Jeferson Monteiro de Castro, de 15 anos, que desapareceu, após sair de casa para comprar um litro de refrigerante, em Mesquita, na Baixada Fluminense.

O sumiço do adolescente ocorreu, na tarde do último dia 26 de junho: um domingo, de temperatura baixa, quando a família se preparava para ir à igreja evangélica onde congregam. Jeferson vestia casaco, calça e tênis, todos da cor preta. Levava uma bolsa à tira colo e portava o aparelho celular, que foi desligado após o desaparecimento.

De acordo com a família, dois meses antes, Jeferson vinha apresentando mudanças de comportamentos, alterações de humor e crises de ansiedade. Apesar de as reações serem consideradas comuns na adolescência, o estudante estava sendo submetido a tratamentos psicológicos e mantendo, normalmente, as rotinas escolar e doméstica. As hipóteses de o adolescente ter sido aliciado ou estar em cárcere privado estão sendo investigadas pela polícia.   

‘Ele saiu para comprar um refrigerante e sumiu. Estou desesperada’

“Meu filho sempre foi caseiro, me acompanhava em todos os lugares. Claro, está ficando jovem e gosta de ficar com os amigos, mas sempre avisa. Gente, ele saiu para comprar um refrigerante e sumiu. Estou desesperada. A família está toda focada nas buscas. Estamos à base de remédios. Os dias têm sido longos e as noites duras sem o meu filho”, disse, emocionada, a dona de casa Patrícia Vilela Monteiro, de 46 anos.

Ligações anônimas e análise de câmeras

O caso está sendo investigado por agentes do Setor de Descobertas de Paradeiros (SDP) da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), em Belford Roxo. Familiares relataram à polícia estarem recebendo ligações anônimas de outros aparelhos celulares dando conta da presença do adolescente, mas nada foi confirmado. Imagens de câmeras da região estão sendo analisadas.

Denúncias- Informações sobre o paradeiro de menino Jeferson podem ser repassadas à DHBF, que deixa à disposição da população o telefone (21) 98596-7442 (whatsapp) e ressalta a importância da colaboração com informações e denúncias, com garantia de total anonimato. O Programa SOS Criança Desaparecida da Fundação para Infância e Adolescência (FIA) também disponibiliza os contatos (2286-8337/98596-5296).

Baixada Fluminense registra 602 desaparecimentos em 2022

De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), dos 2.180 registros de desaparecimentos de pessoas no estado do Rio de Janeiro, entre janeiro a maio deste ano, 602 casos ocorreram na Baixada Fluminense e 422 sumiços, somados, nas Zonas Norte e Oeste do Rio.

De acordo com especialistas, as três regiões citadas são marcadas por áreas conflagradas, com maiores incidências de operações policiais, presença do tráfico de drogas e milícias. Portanto, no conjunto dos números, esses territórios somam, aproximadamente, 50% dos registros de desaparecimentos em todo o estado.

A seguir, fechando as estatísticas, seguem a Capital, com 402 casos; Região Serrana, com 284 casos (número inflado pelos casos da tragédia de Petrópolis); Região Metropolitana, somando 249 registros; e Norte e Sul Fluminense , com 115 e 106 sumiços, respectivamente.