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Morador de Santa Cruz relata experiência de dois meses na guerra da Ucrânia

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Aos 27 anos, o morador de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, Fabiano Henrique decidiu deixar o Brasil para realizar um antigo sonho: seguir uma carreira militar. Há cerca de dois meses na Ucrânia, ele afirma ter participado de uma missão de 14 dias em uma região marcada por intensos confrontos.

Em entrevista ao Santa Cruz News, Fabiano contou detalhes sobre a decisão de viajar, os treinamentos realizados após sua chegada ao país e os riscos que, segundo ele, fazem parte da rotina de quem atua em áreas afetadas pelo conflito.

A decisão de deixar o Brasil, segundo o morador, foi motivada tanto pelo desejo de se tornar militar quanto pela situação financeira que enfrentava.

“Sempre foi o meu sonho me tornar um militar.”

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Fabiano afirma que a oportunidade também representa uma tentativa de reorganizar a vida financeira e construir uma nova perspectiva profissional.

“Eu estava passando por uma grande dificuldade financeira e, com o salário daqui, eu vou conseguir organizar a minha vida.”

Família apoiou decisão de viajar

Antes de deixar o Brasil, Fabiano afirma que conversou com a esposa, com quem mantém um relacionamento há oito anos. Segundo ele, ela conhecia as dificuldades financeiras enfrentadas pelo casal e compreendeu os motivos que levaram à decisão.

“Primeiro eu conversei com a minha esposa. Ela sabe da nossa dificuldade financeira e sabe do nosso propósito. Ela concordou com a minha vinda”, contou.

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O morador também afirma que reuniu familiares antes da viagem para comunicar que deixaria o país. A notícia, segundo ele, provocou preocupação entre os parentes.

“Todos ficaram muito preocupados, mas como eu sempre falo, cada um tem sua vida, sua história e seu destino.”

Viagem até a Ucrânia

De acordo com Fabiano, as despesas com as passagens para a Ucrânia foram custeadas pela organização responsável pelo processo de contratação. Ele afirma que não precisou arcar com os custos da viagem até o país.

Após a chegada, o morador de Santa Cruz relata que passou por treinamentos e que a preparação ocorre praticamente todos os dias.

Segundo ele, a rotina inclui períodos de preparação antes das atividades relacionadas ao conflito.

Primeira missão durou 14 dias

Fabiano afirma que sua primeira missão ocorreu em uma região que ele identifica pelo nome de “Floresta da Morte”, descrita por ele como uma área de confrontos frequentes.

Segundo o relato, a equipe era formada por 12 pessoas, sendo dez colombianos e dois brasileiros.

Durante a missão, Fabiano afirma que três colombianos morreram. Ele também relata que um dos brasileiros ficou gravemente ferido após pisar em uma mina terrestre.

Segundo o morador, ele participou do resgate do companheiro ferido e ajudou a retirá-lo da região.

“Eu que fui salvar esse amigo brasileiro que infelizmente perdeu a perna.”

Fabiano conta que levou o colega até uma estrutura de proteção enquanto havia drones sobrevoando a região.

“Foi uma volta muito difícil, pois tinha muitos drones inimigos em cima.”

Segundo o entrevistado, a missão durou 14 dias e ocorreu em condições consideradas extremamente perigosas.

“Eu já vim sabendo de todas as dificuldades”

Apesar dos riscos relatados, Fabiano afirma que pesquisou sobre a realidade do conflito antes de viajar e que estava consciente das dificuldades que poderia enfrentar.

“Eu sou muito bem preparado mentalmente, então eu já vim sabendo de todas as dificuldades. Eu pesquisei muito antes de vir para cá.”

Para o morador de Santa Cruz, a experiência também revelou uma realidade muito diferente daquela que conhecia no Brasil.

Ele afirma que mortes ocorrem durante missões e diz acreditar que algumas informações sobre esses episódios não chegam ao conhecimento público.

Essa afirmação não foi verificada de forma independente pelo Santa Cruz News e é apresentada exclusivamente como declaração do entrevistado.

Fabiano também afirma que, em determinadas regiões de combate, a recuperação dos corpos dos mortos pode ser impossível. Como exemplo, cita os três colombianos que, segundo seu relato, morreram durante a primeira missão.

“Como geralmente é na Floresta da Morte, é impossível voltar com o corpo do morto. Como foi com os três colombianos da equipe, a família nunca vai ter o corpo deles.”

Ainda segundo Fabiano, os três colombianos morreram durante a primeira missão e não chegaram a receber o primeiro salário.

O Santa Cruz News não conseguiu confirmar de forma independente as identidades dos combatentes mencionados, as mortes relatadas ou as circunstâncias específicas descritas pelo entrevistado.

Contrato prevê três anos, diz morador

Fabiano afirma que o contrato firmado tem duração prevista de três anos. Segundo ele, entretanto, é comum que integrantes deixem a atividade depois de poucos meses.

“Muitos que fizeram a missão comigo já estão pedindo baixa para voltar para casa”, contou.

Apesar dos riscos, o morador de Santa Cruz afirma estar satisfeito com a experiência e considera que está realizando um sonho antigo.

“Eu estou muito feliz aqui e realizando um sonho.”

O plano, segundo ele, é permanecer aproximadamente seis meses na Ucrânia e, posteriormente, solicitar o encerramento do contrato para retornar ao Brasil.

“Meu objetivo é ficar aqui seis meses de contrato, que já pode quebrar o contrato tranquilamente. Sendo assim, eu volto para casa, Santa Cruz, em janeiro.”

Se o planejamento for mantido, Fabiano pretende retornar a Santa Cruz em janeiro de 2027.

Até lá, ele afirma que continuará participando dos treinamentos e das atividades relacionadas ao conflito.

Entre o sonho militar e a distância de casa

A experiência de Fabiano na Ucrânia representa, segundo seu próprio relato, a combinação de um antigo sonho profissional com a tentativa de melhorar sua situação financeira.

Longe de Santa Cruz, ele deixou no Brasil a esposa, familiares e a rotina que mantinha antes da viagem. Em seu novo cotidiano, passou a conviver com treinamentos, missões e os riscos de uma região em guerra.

Apesar das dificuldades, o retorno ao Rio já faz parte dos planos do morador, que pretende encerrar sua passagem pela Ucrânia após aproximadamente seis meses e voltar para casa em janeiro de 2027.

Nota editorial

Esta reportagem foi produzida a partir de entrevista concedida por Fabiano Henrique, de 27 anos, ao Santa Cruz News.

Informações relacionadas ao processo de contratação, pagamento das passagens, remuneração, duração e condições do contrato, treinamentos, missões, mortes de combatentes e demais acontecimentos descritos na reportagem foram apresentadas pelo próprio entrevistado e não foram verificadas de forma independente pela reportagem.

Por esse motivo, o Santa Cruz News identifica essas informações como relatos ou afirmações de Fabiano. O jornal não confirma, neste momento, a identidade dos demais combatentes citados, o número de mortos ou as circunstâncias específicas dos episódios narrados.

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Davi Lopes
Davi Lopeshttp://www.santacruznews.rio.br
Jornalista carioca 🎙️ Voz das ruas, dos becos e da alma da cidade