Acadêmicos de Santa Cruz: veja o enredo e cante o samba

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A Acadêmicos de Santa Cruz é a quarta escola da segunda noite da Série Ouro, quinta-feira (21).

A Verde e Branca deve entrar na Avenida entre 23h15 e 23h45.

O enredo

Santa Cruz vai levar para a Marquês de Sapucaí a história de luta e de sucesso do ator e diretor Milton Gonçalves. Ele será o rei da escola, que vai coroá-lo em diversos momentos no desfile.

Ele pisou pela primeira vez na TV Globo, em 1965, na estreia do seriado “Rua da Matriz”. Participou de mais de 40 novelas. No cinema, foi Rainha Diaba e Natal da Portela.

O carnavalesco Cid Carvalho diz que vai ter catupé – dança que é uma variedade do congo – na Avenida.

“A festa do catupé faz parte da coroação dos reis negros. E essa imagem é que o menino Milton Gonçalves guardou ao longo de sua história. Lá nas Minas Gerais, é onde tudo começa: infância, família na lavoura do café”, disse Cid.

O enredo segue fazendo um paralelo entre a história do ator e os orixás.

“Quando a família parte de Minas Gerais para São Paulo, será o orixá Exu que estará abrindo os caminho. Laroyê. Depois de vários trabalhos, ao chegar e conseguir uma vaga numa livraria, aí será a rainha da sabedoria e do conhecimento que estará abraçando nosso Milton Gonçalves. No teatro quando Milton explode em sucesso será o rei Oxumarê, o rei das artes que estará coroando Milton. No fim, no Rio de Janeiro, já na TV Globo, com Zelão das Asas, na novela “O bem-amado”, Milton será coroado pelo rei dos reis, Oxalá”, contou Cid.

O carnavalesco diz que a história da vida do ator é essa: é emocionar, abraçar a causa negra e se dedicar.

“A história do Milton é esse grande discurso político. É um negro que não aceitou o lugar que a sociedade tentou lhe impor. Essa é a grande parada. Essa é a grande política do enredo sobre Milton Gonçalves. É um grito contra grilhões e açoites que não estão mais aqui, mas simbolicamente ainda existem. Também é, acima de tudo, uma proposta de liberdade. É dizer para o negro, para o menininho, para o adolescente, para o mais velho: você pode ir onde você quiser, você pode alcançar as nuvens. Milton, você voou”, disse o carnavalesco.

Milton Gonçalves em 'O Tempo Não Para', de 2018  — Foto: Paulo Belote/Globo

Milton Gonçalves em ‘O Tempo Não Para’, de 2018 — Foto: Paulo Belote/Globo

O samba

  • Autores: Samir Trindade, Júnior Fionda, Elson Ramires e Rildo Seixas
  • Intérprete: Roninho

Banzo, ê, Banzo, ê, vai embora
Ê saudade grande feito monte santo
Santifica o filho mais um rei do Congo
Meu retinto peito bate em ritmo de bombo
Tenho a força do axé ginga de Catupé
Agbê, gonguê rufam caixas de lembrança
Em São Paulo da esperança
Cor da pele fez lição
Nego véio ensinou
A talhar a… vida
Na coragem e na luta
Dessa gente perseguida

Sonho meu!
De Erê Ganga, Zumbi
Tantas páginas e livros
E miragens pela frente
Sonho meu
Desde cedo aprendi
Que o verbo resistir
Se conjuga no presente

Vencer as feridas (açoite cultural)
Arenas da vida (senzala social)
E ser bem amado (a luta ao fim servil)
Persistir no Brasil
É sangue de Palmares
Nas veias emoção, nos palcos meus altares
Orixá da nação
Espelho a cintilar a arte
Um santo, a cruz da liberdade
A Santa Cruz é liberdade

Preto rei! Preto é rei
Nesse Rio de Oxóssi fiz o meu gongá
Preto rei! Preto é rei
Saravá Milton Gonçalves na coroa de Oxalá

Obá obá obára ôôô…
Obá obá obára ôôô…

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