Um mal invisível: ventos extremos levantam debate sobre particulados no entorno da Ternium em Santa Cruz

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Os fortes ventos que atingiram o Rio de Janeiro na última quarta-feira (29) reacenderam a discussão sobre a dispersão de particulados na região de Santa Cruz, na Zona Oeste da capital. Na data, moradores relataram a presença de uma camada de poeira sobre casas, veículos e estabelecimentos comerciais, especialmente nas áreas próximas ao complexo industrial da Ternium Brasil.

Segundo dados divulgados pelo Centro de Operações Rio (COR), com base em registros da REDEMET, Santa Cruz registrou rajadas de vento de até 92 km/h. No Terminal Portuário da Ternium, as rajadas chegaram a 158,26 km/h, intensidade considerada excepcional.

Quintal de um morador da região da Reta do João XXIII

Em resposta aos questionamentos encaminhados pelo Santa Cruz News, a Ternium informou que, em razão das condições climáticas severas, ocorreu um episódio de arraste eólico em seu complexo siderúrgico. De acordo com a empresa, a força dos ventos transportou poeiras e materiais presentes em áreas abertas da operação, como finos de carvão, minério de ferro e calcário.

A companhia afirma que monitora continuamente as condições meteorológicas por meio de seu Centro de Monitoramento Ambiental e que, antes da chegada da frente de ventos, reforçou as medidas preventivas de controle ambiental. Ainda assim, segundo a empresa, a intensidade das rajadas superou as previsões operacionais e acabou impactando o funcionamento normal do complexo.

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A Ternium ressaltou que os materiais dispersados são classificados como inertes e, segundo a empresa, não representam risco à saúde, embora possam causar incômodo devido ao acúmulo de poeira. Informou ainda que todas as medidas de controle ambiental permaneceram em funcionamento durante o evento e que o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) foi comunicado sobre a ocorrência.

Em seu posicionamento, a empresa destacou que, desde 2017, investiu aproximadamente R$ 550 milhões em melhorias ambientais, com foco na modernização de equipamentos e no aperfeiçoamento dos controles operacionais. Também informou que opera dentro dos limites estabelecidos em sua licença ambiental, que prevê padrões mais restritivos do que os definidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Como exemplo, citou a unidade de sinterização, cuja licença estabelece limite máximo de emissão de 50 mg/Nm³, abaixo do limite nacional de 70 mg/Nm³.

Apesar dos esclarecimentos da empresa, o episódio reforça um debate antigo entre moradores da região, que frequentemente relatam a presença de poeira sobre imóveis e questionam os impactos das atividades industriais na qualidade do ar.

Especialistas apontam que o material particulado pode ter diferentes origens, incluindo atividades industriais, tráfego de veículos, poeira do solo e queimadas. A composição e os possíveis impactos dependem das características de cada material e das condições ambientais no momento da dispersão.

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O Santa Cruz News continuará acompanhando o tema e ouvindo moradores, autoridades ambientais e especialistas para ampliar o debate sobre a qualidade do ar em Santa Cruz. O espaço permanece aberto para manifestações dos órgãos competentes e de demais instituições que desejarem contribuir com informações técnicas sobre o assunto.

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