Lula veta anistia a caminhoneiros por bloqueios de 2022 e sanciona nova lei do frete

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou o trecho da nova legislação do frete que previa anistia para caminhoneiros e empresas de transporte multados por manifestações e bloqueios de rodovias registrados após as eleições de 2022.

O veto foi publicado junto com a sanção dos demais dispositivos da proposta aprovada pelo Congresso Nacional. Com a decisão, permanecem válidas as penalidades aplicadas em decorrência dos bloqueios realizados naquele período.

O dispositivo que previa a anistia havia sido incluído durante a tramitação da medida provisória que criou novas regras para o piso mínimo do frete. A retirada do trecho já era esperada e fazia parte de um entendimento entre o governo federal e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para viabilizar a aprovação da proposta.

Governo aponta inconstitucionalidade

Na justificativa enviada ao Congresso Nacional, o governo federal afirmou que a anistia poderia contrariar o interesse público e apresentar problemas de ordem constitucional.

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Segundo o Executivo, a proposta previa a anulação de multas já aplicadas de maneira genérica. O governo argumentou que a medida poderia atingir decisões protegidas pela garantia da coisa julgada e interferir na separação entre os Poderes.

O Palácio do Planalto também citou possíveis impactos financeiros decorrentes da medida, alegando que a anistia representaria renúncia de receita sem a apresentação da estimativa de impacto orçamentário e financeiro exigida pela legislação.

Anistia envolveria bilhões em multas

O trecho retirado da proposta pretendia cancelar aproximadamente R$ 7,1 bilhões em multas e outras penalidades relacionadas aos bloqueios de rodovias registrados após o resultado das eleições presidenciais de 2022.

As punições incluem medidas administrativas, cíveis e judiciais aplicadas durante o período.

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Com o veto presidencial, o dispositivo que previa a anistia não entrou em vigor.

Nova lei muda regras para contratação de fretes

Apesar de barrar a anistia, Lula sancionou os demais pontos da proposta aprovada pelo Congresso.

Uma das principais mudanças estabelece o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) como documento obrigatório e permanente para registrar e validar o valor do frete antes da realização de cada viagem.

A medida busca aumentar o controle sobre as operações e facilitar a fiscalização do cumprimento do piso mínimo estabelecido para o transporte rodoviário de cargas.

Multas podem chegar a R$ 1 milhão

A nova legislação também aumenta as punições para empresas e contratantes que pagarem valores inferiores ao piso mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

As penalidades podem chegar a R$ 1 milhão, além de medidas como suspensão ou cancelamento do registro do transportador.

A mudança atende a uma das principais reivindicações apresentadas por representantes dos caminhoneiros durante a discussão da proposta.

Votação ocorreu sob pressão de possível greve

A proposta enfrentou dificuldades durante sua tramitação no Senado e chegou a correr risco de perder a validade.

A possibilidade de uma nova paralisação dos caminhoneiros aumentou a pressão sobre o Congresso para concluir a votação. Um acordo entre representantes do Legislativo e o governo federal ajudou a destravar a análise da matéria.

Com a sanção presidencial, as novas regras do transporte rodoviário de cargas passam a integrar a legislação, enquanto a anistia relacionada aos bloqueios de 2022 permanece rejeitada.

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Davi Lopes
Davi Lopeshttp://www.santacruznews.rio.br
Jornalista carioca 🎙️ Voz das ruas, dos becos e da alma da cidade