
O estado do Rio de Janeiro já movimentou US$ 45 bilhões em exportações em 2026 e está próximo de superar o recorde de US$ 49 bilhões alcançado no ano passado. Os números foram apresentados na quinta-feira (8), durante o evento Conexões Produtivas, realizado na capital fluminense para discutir oportunidades de expansão da indústria brasileira no mercado internacional.
O resultado reforça a importância do comércio exterior para a economia fluminense. Embora o petróleo continue liderando as vendas internacionais, outros segmentos industriais também registram crescimento, ampliando as possibilidades de negócios para empresas instaladas no estado.
O encontro reuniu representantes do governo federal, empresários e instituições ligadas ao desenvolvimento econômico. Entre os participantes estavam integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Um dos principais destaques do levantamento foi o desempenho das atividades econômicas que não estão diretamente relacionadas ao petróleo.
Segundo a ApexBrasil, as exportações fluminenses desse conjunto de produtos cresceram aproximadamente 20% em 2026, passando de quase US$ 7 bilhões para cerca de US$ 9 bilhões.
O avanço envolve segmentos como moda, indústria metalmecânica, setor automobilístico, alimentos e bebidas, economia criativa e produção de vinhos e cachaças.
Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, os números mostram que o estado possui oportunidades de crescimento em diferentes atividades econômicas.
“O petróleo é o grande puxador, mas o fato mais interessante é que, quando olhamos para todos os outros produtos, as exportações fluminenses estão crescendo 20% este ano. Saltamos de quase US$ 7 bilhões para cerca de US$ 9 bilhões nesse conjunto de setores”, afirmou.
A agência informou que já prestou atendimento a aproximadamente 1,1 mil empresas do Rio de Janeiro, oferecendo apoio para ampliar a presença de produtos brasileiros em mercados estrangeiros.
A expansão das relações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia também esteve entre os assuntos discutidos durante o encontro.
O acordo comercial prevê condições tarifárias mais favoráveis para diferentes produtos, criando possibilidades de ampliação das vendas brasileiras ao mercado europeu.
De acordo com o ministro em exercício do MDIC, Márcio Elias Rosa, as exportações brasileiras para a União Europeia apresentaram crescimento expressivo desde maio.
“De maio até hoje, nossas exportações para a União Europeia já cresceram aproximadamente 30%. A redução de tarifas para um volume expressivo de produtos brasileiros é uma oportunidade de negócios concreta que precisa ser aproveitada pelo setor produtivo”, declarou.
A diversificação dos destinos comerciais também foi apontada como uma estratégia para reduzir a dependência de mercados específicos e ampliar a competitividade das empresas brasileiras.
Atualmente, a União Europeia recebe aproximadamente 20% das exportações do estado do Rio de Janeiro, representando um dos principais destinos dos produtos fluminenses.
Durante o Conexões Produtivas, a ApexBrasil apresentou uma ferramenta de inteligência comercial destinada a ajudar empresas a identificar mercados com potencial de crescimento.
O Painel de Oportunidades do Acordo Mercosul–União Europeia identificou 717 oportunidades comerciais para o estado do Rio de Janeiro.
O levantamento considera produtos, mercados e possibilidades de expansão das exportações fluminenses.
Segundo os dados apresentados, aproximadamente 567 empresas do Rio de Janeiro já mantêm atividades de exportação para países da União Europeia.
As vendas fluminenses destinadas ao bloco europeu movimentam cerca de US$ 10 bilhões, considerando os números apresentados durante o evento.
A ferramenta busca auxiliar tanto empresas que já atuam no comércio internacional quanto negócios interessados em realizar suas primeiras exportações.
O gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, explicou que a proposta é transformar as informações técnicas do acordo comercial em dados que possam ser utilizados pelos empresários na identificação de novos mercados.
Os resultados nacionais também mostram avanço nas relações comerciais com o bloco europeu.
Entre maio e setembro de 2026, as exportações brasileiras para a União Europeia alcançaram US$ 27,2 bilhões, crescimento de 30,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
O aumento corresponde a aproximadamente US$ 6,4 bilhões adicionais em vendas externas.
No mesmo intervalo, as importações brasileiras de produtos europeus chegaram a US$ 22,5 bilhões, alta de 3,1%.
Com isso, a corrente de comércio entre o Brasil e a União Europeia atingiu US$ 49,7 bilhões, representando crescimento de 16,6%.
Outro resultado importante foi a mudança no saldo comercial. Enquanto o período equivalente de 2025 apresentou déficit de US$ 965,9 milhões, os dados de 2026 apontam superávit de US$ 4,7 bilhões.
Considerando os oito primeiros meses do ano, as exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 37,3 bilhões, o maior resultado já registrado para esse intervalo.
Além das oportunidades comerciais, o evento abordou mecanismos de financiamento e modernização da indústria.
O presidente da ABDI, Olavo Noleto, destacou a expansão do Plano Mais Produção, iniciativa relacionada à política industrial Nova Indústria Brasil.
Segundo ele, o programa, inicialmente anunciado com previsão de R$ 300 bilhões, alcançou aproximadamente R$ 800 bilhões, diante da demanda por recursos destinados ao desenvolvimento produtivo.
A programação também contou com debates sobre financiamento às exportações, inovação tecnológica e soluções relacionadas à Indústria 4.0.
Representantes do BNDES, Sebrae/RJ, Firjan e empresas fluminenses participaram das discussões.
O aumento das vendas internacionais pode ampliar as oportunidades de negócios para empresas de diferentes portes e setores produtivos.
No Rio de Janeiro, a diversificação das exportações ganha importância porque permite que outras atividades econômicas ampliem sua participação no comércio exterior, além da tradicional presença do setor petrolífero.
A expansão também pode criar condições para novos investimentos industriais, fortalecimento das cadeias produtivas e geração de oportunidades econômicas no estado.
Para regiões com atividade industrial, como a Zona Oeste da capital fluminense, o fortalecimento da indústria e a abertura de mercados internacionais são temas relevantes para o desenvolvimento econômico.
No entanto, os dados apresentados durante o encontro não detalham resultados específicos para Santa Cruz ou outros bairros da Zona Oeste.
Com US$ 45 bilhões já registrados em 2026, o Rio de Janeiro precisa acrescentar mais de US$ 4 bilhões às exportações para ultrapassar a marca histórica de US$ 49 bilhões alcançada em 2025.
O desempenho dos próximos meses será determinante para confirmar se o estado encerrará o ano com um novo recorde de vendas ao exterior.
Mín. 22° Máx. 26°