
O cantor Netinho morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. Conhecido nacionalmente por sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, o artista enfrentava complicações de um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que afeta o sistema linfático. A morte foi confirmada por meio de um comunicado publicado nas redes sociais do músico.
Netinho estava internado desde o fim de setembro no Hospital Aliança Star, na capital baiana, após apresentar complicações relacionadas ao retorno da doença, diagnosticada inicialmente em 2025.
Segundo a nota divulgada pela equipe do cantor, o quadro de saúde evoluiu para insuficiência renal e comprometimento de múltiplos órgãos.
A família informou que o velório e a cremação serão realizados em cerimônia privada, restrita a parentes e amigos próximos.
Os problemas de saúde que levaram ao diagnóstico começaram em fevereiro de 2025, quando o cantor precisou cancelar apresentações de Carnaval após sentir fortes dores nas costas e dificuldades para caminhar.
Na ocasião, ele foi hospitalizado e permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após nove dias, apresentou melhora e foi transferido para uma unidade semi-intensiva.
Em março daquele ano, Netinho revelou publicamente que havia sido diagnosticado com um linfoma não Hodgkin.
O artista iniciou o tratamento com quimioterapia e, em junho de 2025, compartilhou uma notícia positiva com seus seguidores: os exames já não identificavam sinais da doença em seu organismo.
Apesar do resultado, ele continuou as sessões de quimioterapia conforme orientação médica.
Em maio deste ano, Netinho informou que novos exames haviam identificado o retorno do linfoma.
A descoberta aconteceu durante uma investigação médica relacionada a uma obstrução no rim esquerdo.
Na ocasião, o cantor explicou que precisaria passar por uma biópsia para definir os próximos passos do tratamento.
Mesmo diante do novo diagnóstico, ele demonstrava otimismo e compartilhava mensagens de esperança com os fãs.
Entretanto, seu estado de saúde voltou a se agravar nos meses seguintes, levando a uma nova internação no fim de setembro.
De acordo com o comunicado divulgado após sua morte, o linfoma não Hodgkin do tipo B evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Nascido em Santo Antônio de Jesus, na Bahia, em 1966, Ernesto de Souza Andrade Júnior ficou conhecido artisticamente como Netinho.
Sua carreira musical começou a ganhar destaque no final da década de 1980, período em que o axé conquistava espaço nas rádios e nos grandes eventos populares do Brasil.
Em 1988, o cantor assumiu os vocais da Banda Beijo, grupo que ajudou a popularizar o gênero musical em diferentes regiões do país.
Foi nessa fase que Netinho ganhou projeção com músicas como “Beijo na Boca”, uma das canções que marcaram sua passagem pela banda.
Em 1993, decidiu seguir carreira solo, iniciando uma nova etapa de sua trajetória artística.
O auge da popularidade de Netinho aconteceu em 1996, com o lançamento do álbum “Netinho ao Vivo!”.
O disco apresentou ao público a música “Milla”, que se transformou em um dos grandes sucessos do Carnaval brasileiro.
A canção conquistou espaço nas rádios, festas e micaretas, tornando-se uma das músicas mais conhecidas da carreira do artista.
Com sua presença de palco e repertório marcado pelo axé, Netinho ajudou a levar a música baiana para diferentes públicos durante os anos 1990.
Sua trajetória ficou associada à expansão nacional do gênero e à popularização das micaretas fora da Bahia.
Além da carreira musical, Netinho teve participação em atividades políticas.
O artista manifestava apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e participou de manifestações públicas relacionadas ao antigo governo.
Nas eleições de 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Liberal (PL), na Bahia.
Na ocasião, recebeu aproximadamente 31 mil votos e ficou na condição de suplente.
Na vida pessoal, Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve sua única filha, Bruna.
Após a confirmação da morte, a equipe do cantor divulgou uma mensagem destacando sua contribuição para a música brasileira.
O comunicado ressaltou a alegria, o carisma e a relação construída pelo artista com o público ao longo de sua carreira.
A família também pediu respeito à privacidade neste momento de luto.
O velório e a cremação acontecerão de maneira reservada, sem cerimônia aberta ao público.
Netinho deixa como legado uma carreira marcada por sucessos que atravessaram gerações e ajudaram a consolidar o axé como um dos ritmos mais populares do Brasil.
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