
Em uma região do Rio de Janeiro marcada pela violência urbana, o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste, desenvolve há mais de três anos um modelo de gestão participativa que aproxima o hospital público da comunidade. A iniciativa combina diálogo permanente com lideranças comunitárias, capacitação da população e articulação com diferentes atores locais, com o objetivo de fortalecer a relação entre o SUS e o território onde a unidade está inserida.
A experiência foi apresentada no Congresso Clínico 2026 do American College of Surgeons (ACS), em Washington, nos Estados Unidos, pelo coordenador de Cirurgia Geral do hospital, Hélio Machado.
Um dos principais eixos dessa atuação é a capacitação em primeiros socorros e atendimento inicial a situações de emergência. Em três anos e meio, cerca de 3 mil pessoas, entre profissionais do hospital e moradores da região, foram capacitadas no Stop the Bleed (Pare o Sangramento), programa oficial do American College of Surgeons voltado ao controle de hemorragias graves.
Outra frente é o projeto “Se liga, isso é trauma!”, que já capacitou cerca de 400 jovens em ações de prevenção de traumas e conscientização sobre situações de risco. As atividades integram uma estratégia mais ampla de aproximação com a população, que também inclui formações em Suporte Básico de Vida (BLS), com mais de 980 pessoas treinadas, além de prevenção de acidentes e iniciativas relacionadas à violência contra a mulher.
A articulação comunitária tem papel central nesse processo. O trabalho envolve o mapeamento do território, a aproximação com lideranças e a construção de espaços de diálogo com representantes comunitários e religiosos, educadores, ativistas, profissionais da assistência social e integrantes do poder público. Anualmente, são realizadas prestações de contas das ações do hospital à comunidade, com a participação de cerca de 50 pessoas.
Entre os resultados identificados na pesquisa estão o maior alinhamento entre a capacidade de atendimento do hospital e as expectativas da população, a redução de pressões externas sobre as equipes e a ampliação do papel do Albert Schweitzer como referência para a região, para além dos atendimentos relacionados a traumas.
“Foi uma honra apresentar nosso trabalho em um dos principais congressos de cirurgia do mundo. Poder compartilhar com colegas de diferentes países a experiência do Albert Schweitzer, em uma região marcada pela violência, mostrou que os desafios locais também fazem parte de uma conversa global. Foi uma troca muito rica e uma oportunidade de dar visibilidade ao trabalho da nossa equipe”, destaca Hélio Machado, coordenador de Cirurgia Geral do hospital.
Com o título “Do centro de trauma à referência para a comunidade: um modelo de gestão participativa em uma área urbana marcada pela violência no Brasil”, o trabalho tem como coautoras Kamila Conde Coelho e Graciane Cristina Silva de Carvalho.
Sobre o Hospital Municipal Albert Schweitzer
O Hospital Municipal Albert Schweitzer é referência no atendimento de urgência e emergência na Zona Oeste do Rio, realizando cerca de 16 mil atendimentos por mês. A unidade está sob gestão do Viva Rio desde abril de 2021.
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