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Senado aprova fim da escala 6x1 e jornada de 40 horas semanais; veja o que muda

Proposta recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário no primeiro turno. Texto prevê dois dias de descanso por semana, sem redução salarial, mas ainda precisa concluir a votação para entrar em vigor.

14/10/2026 às 23h15
Por: Davi Lopes
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, comandou a votação da PEC TV Senado/Reprodução
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, comandou a votação da PEC TV Senado/Reprodução

O Senado Federal aprovou, na noite desta quarta-feira (14), em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil. A medida estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução dos salários.

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A proposta recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Entre os parlamentares que apoiaram o texto está Flávio Bolsonaro (PL), que participou da votação remotamente.

A aprovação representa um avanço na discussão sobre a redução da jornada de trabalho no país. No entanto, o fim da escala 6x1 ainda não está em vigor, pois a proposta precisa concluir sua tramitação legislativa.

Após a votação em primeiro turno, os senadores iniciaram a análise da PEC em segundo turno. Um calendário especial foi aprovado para permitir que as duas votações fossem realizadas ainda nesta quarta-feira, sem a necessidade de cumprir o intervalo habitual entre elas.

O que muda com o fim da escala 6x1?

A principal mudança prevista na proposta é a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Atualmente, a escala 6x1 permite que o trabalhador cumpra seis dias de expediente e tenha um dia de descanso semanal.

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Com a alteração proposta, os trabalhadores abrangidos pelas novas regras terão direito a dois dias de folga por semana, que não precisarão ser consecutivos.

As principais mudanças previstas são:

  • Redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais;

  • Dois dias de descanso por semana;

  • Manutenção dos salários, sem redução pela mudança da jornada;

  • Possibilidade de folgas em dias não consecutivos;

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  • Período de transição gradual de 14 meses após a promulgação.

A proposta não determina que todos os trabalhadores tenham folga obrigatoriamente aos sábados e domingos.

A organização dos dias de descanso deverá observar as regras aplicáveis às diferentes atividades profissionais.

Quando o fim da escala 6x1 começa a valer?

Apesar da aprovação em primeiro turno, a mudança não passa a valer imediatamente.

Para entrar em vigor, a PEC precisa ser aprovada em segundo turno no Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis, e posteriormente promulgada pelo Congresso Nacional.

Como o texto aprovado pelos senadores mantém a redação que passou pela Câmara dos Deputados em maio, não será necessário retornar à análise dos deputados caso não ocorram alterações.

A proposta estabelece uma transição gradual de 14 meses após a promulgação da emenda constitucional.

Isso significa que a implementação das novas regras não será imediata, mesmo depois da conclusão do processo legislativo.

Senado mantém texto aprovado pela Câmara

Durante a discussão, o relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou uma emenda apresentada por Oriovisto Guimarães (PSDB-PR).

A sugestão tratava das jornadas especiais de trabalho que já possuem carga horária igual ou inferior a 40 horas semanais.

Segundo Aziz, a decisão de manter o texto original buscou evitar que a proposta precisasse retornar à Câmara dos Deputados, o que poderia atrasar sua aprovação definitiva.

Oriovisto retirou o pedido de votação separada da emenda, permitindo que a análise da PEC continuasse sem alterações.

Proposta recebeu apoio de parlamentares da oposição

A votação também foi marcada pelo apoio de senadores de diferentes partidos, incluindo integrantes da oposição ao governo federal.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, votou favoravelmente à proposta.

A aprovação ocorreu em meio ao calendário eleitoral de 2026, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial.

A redução da jornada de trabalho é uma das pautas defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante a sessão, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), parabenizou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, pela condução das negociações.

"Parabéns, presidente. Você é o grande responsável por isso aqui", afirmou Santana.

Alcolumbre respondeu: "Não falei que ia dar certo?". A conversa foi captada pela transmissão da TV Senado.

O que acontece agora?

O próximo passo é a conclusão da votação em segundo turno no Senado.

Caso a proposta receba os votos necessários e seja promulgada, o Brasil terá novas regras constitucionais para a duração máxima da jornada semanal de trabalho.

A mudança poderá atingir trabalhadores de diversos setores, incluindo comércio, serviços e outras atividades que atualmente utilizam a escala de seis dias de trabalho para um de descanso.

Até a entrada em vigor das novas regras, permanecem válidas as disposições atuais sobre jornada de trabalho e descanso semanal.

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